2021-05-06 18:43:00
Não é o comunismo que ameaça a igreja e sim o capitalismo
Denunciar as injustiças do capitalismos não faz do cristão e nem da igreja cristã comunista.
Denunciar as injustiças do capitalismos não faz do cristão e nem da igreja cristã comunista.
Criticar o capitalismo não implica em querer implantar o Marxismo em seu lugar, mesmo porque, até mesmo o “comunismo” de Marx e suas contradições, mostrou-se vulnerável à sedução do capitalismo.
A grande verdade é que nunca haverá nesse mundo um sistema de governo humano imune à corrupção que se encontra no coração do próprio homem.
Governos humanos, quer políticos, quer religiosos, já carregam em si a própria essência do pecado.
Homens que foram libertos do poder do pecado não querem governar outros homens.
Assim, os textos citados como referência nesse artigo não foram tirados do Manifesto Comunista, ou de algum escrito de Marx, Lenin ou algum outro escritor marxista, mas foram tirados do Novo Testamento.
Outro aspecto que preciso esclarecer é que o que tento expor nesse artigo não se aplica a todos os cristãos, nem a todas as comunidades de fé, nem a todos àqueles que em sinceridade e humildade, anunciam a palavra de Deus.
Por outro lado, falarei da realidade de uma maioria cada vez mais crescente, daí a gravidade e urgência do que tenho para dizer.
É compreensível que muitos daqueles que irão fazer essa leitura não estejam familiarizados com as passagens citadas, já que pouco ou quase nada é ensinado sobre estas nos dias atuais.
Esse fato, a ausência de se falar nessas passagens, deveria parece a todos nós algo assustador, mas infelizmente não é. Ao mesmo tempo, torna-se um fenômeno compreensível, afinal de contas, grande parte da liderança religiosa do cristianismo de hoje, associada indevidamente à interesses de poder, tanto políticos como econômicos, desde sempre, vem sistematicamente promovendo teorias da conspiração contra “ameaças tenebrosas”, que na idade média por exemplo eram “os bárbaros” e mais contemporaneamente, desde os tempos da guerra fria, passou a ser o comunismo. Esse seria nos dias finais, o sistema que o anticristo implantaria no mundo, daí esse medo paranoico que muitos “crentes” tem do comunismo...
Mas convenientemente, não do capitalismo.
Será que nós como cristãos nunca lemos nos Evangelhos que no mundo teríamos aflições, que o mundo nos odeia e que a perseguição, a perda de bens e até a morte sempre foram possibilidades na vida daqueles “que não são desse mundo”.
Ainda que o comunismo fosse uma possibilidade em nossos dias, e não é, visto que o capitalismo financeiro se estabeleceu em todo o mundo, até mesmo em países que se auto proclamam comunistas, não encontramos nenhuma advertência no Novo Testamento aos perigos à nossa fé de algum sistema político, ideológico e econômico parecidos com o “comunismo”.
O comuníssimo não é o verdadeiro inimigo da igreja, nem a verdadeira ameaça à fé em Cristo!
Ao lermos os evangelhos e todo o Novo Testamento, nos ensinos de Jesus e dos apóstolos, encontramos sim, advertências claras aos perigos de algo que mais se parece com o atual capitalismo do que com o que Marx erroneamente preconizou que se estabeleceria no mundo, o que de fato mostrou-se equivocado, tanto que desapareceu.
O que encontramos no Novo Testamento são inúmeras advertências contra o perigo real do amor ao dinheiro e a sedução do poder, correntes que prendem os homens a este mundo e que coincidentemente são promovidos não pelo comunismo e sim pelo capitalismo.
Essa mudança de foco é mais uma das artimanhas de Satanás e tem funcionado como uma cortina de fumaça que busca esconder o que espiritualmente está acontecendo ao cristianismo institucional. Hoje na grande maioria dos púlpitos (não em todos) a pregação do evangelho tem sido substituída pela promoção do sucesso, prega-se a busca de poder e riquezas, inerentes do capitalismo, isso porque os próprios pregadores deixaram-se seduzir pelos encantos do capitalismo, e acabaram eles mesmos, se tornando ricos, poderosos e influentes politicamente no mundo, daí justificarem sua própria situação, que na realidade é de decadência espiritual, com esse tipo de pregação e ensino, promovendo o que Jesus condenou.
Ainda que isso não se aplica a todos, pois Deus sempre conserva um pequeno remanescente “que não se dobrou a baal”, essa é uma realidade crescente, especialmente no meio neo-pentecostal, onde prosperidade e poder são prometidos em repetitivas campanhas, com nomes bíblicos sensacionalistas, campanha das doze tribos, dos trezentos de Gideão, dos 144 mil e por aí vai, tudo isso regado a um ambiente de forte apelo emocional, de adoração musical, ofertas generosas e obediência cega a seus líderes, sejam estes chamados de pastor, bispo, apóstolo, patriarca e não vai demorar muito, surgirá o título de vice-deus.
Essa hierarquização eclesiástica de poder é uma herança romana do início do declínio espiritual da igreja e que deu origem, na idade média, à primeira denominação religiosa cristã, a mãe de todas as demais denominações.
Continua...







