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2020-07-01 07:56:00

O Amor na Família

Artigo

O Amor na Família
Valcir Zancan

   Tem um ditado popular que diz: Depois da tempestade vem a calmaria. Considerando os últimos 2.000 anos de história, poderíamos dizer que o século XX passou por uma tempestade, e o vendaval ainda está forte neste século. As diferentes perspectivas em busca da paz, para acalmar a tempestade, ainda não surtiram efeito. Uma das consequências desta tempestade é na família, que tem deixado marcas profundas.
Deus criou os seres humanos para realizar o amor, então, é no exercício deste amor na família que podemos encarnar o amor divino e encontrar a solução dos problemas. No relacionamento dos membros em uma família existem quatro tipos de amor. O amor paternal, dos pais para com os filhos, o amor filial, dos filhos para com os pais, o amor fraternal, entre os irmãos e o amor conjugal entre esposo e esposa. 
   Quando praticamos o amor fraternal com nossos irmãos, isto se torna a base para amar as pessoas na sociedade, como nossos irmãos. Ao praticar o amor paternal, na posição de pais, podemos amar as crianças e adolescentes na sociedade como se fossem nossos filhos e ao amar nossos pais desenvolvemos o coração para amar qualquer pessoa mais velha como se fossem uma extensão de nossos pais. Estes três tipos de amor, são expansivos, que podem abraçar todas as pessoas da sociedade, contudo se não praticamos dentro da família, dificilmente poderemos exercê-lo na sociedade. E o amor conjugal? Este é diferente dos outros, pois ele é praticado somente na vida adulta, com o sexo oposto, incluindo a amor sexual. É um amor convergente, pois um homem escolhe alguém que representa todas as mulheres do mundo, a uma mulher escolhe alguém que representa todos os homens do mundo, e somente com seu cônjuge podemos praticar o amor conjugal. 
   A base do amor é o coração de sacrifício que oferece tudo pelos outros. O amor dos pais é verdadeiro porque é o tipo de amor que quer dar tudo o que tem e continua querendo dar. Será que algum pai cobra do filho o que ele gastou com o alimento? Não. O amor sacrifical dos pais é infinito porque ele é como o amor de Deus. Alguém disse que o amor entre pai e filho é a relação mais profundo do universo. Jesus revelou este segredo, pois ele disse que Deus é Nosso Pai. Assim como Deus, devemos estar nesta posição para com nossos filhos, substancializando a “imagem” (Gên. 1:27) de Deus em nós.
   Ainda que alguém tenha uma boa casa e boa comida, sem os pais o coração da pessoa fica vazio. Dentro do coração daquela pessoa que cresceu sem receber o amor dos pais, sempre terá uma solidão e um vazio em seu coração. O amor dos pais é um nutriente absolutamente indispensável para a felicidade. Imagine uma criança que nunca se alimentou bem, quando adulta terá ainda as consequências da desnutrição. O amor dos pais é um “alimento” que não se pode substituir. A criança que não recebeu amor suficiente durante a infância, passa toda a sua vida em sofrimento emocional, sedente de amor, e perde a oportunidade de aprender o alto padrão de dever moral que se espera de uma pessoa em relação a sua família e sociedade. Este amor verdadeiro tem um valor que nunca poderá ser aprendido em outro lugar que não seja na família. 
   A família que pratica os quatro tipos de amor é uma família verdadeira. Nesta família o marido e a esposa se servem e se amam como pai e mãe um do outro ou como irmãos. Dentro do amor conjugal tem o conteúdo do amor fraternal, filial e paternal. Ainda que alguém passe por todo tipo de adversidades, não abandona seus irmãos nem sua mãe. Por isso, a palavra separação não pode existir entre o casal. Da mesma maneira que ela não pode abandonar seu pai ou irmão, não pode abandonar seu marido. Igualmente, um marido nunca pode abandonar sua esposa. Esta família verdadeira é um lugar onde cada cônjuge vive com o reconhecimento do valor absoluto do seu parceiro, que é a imagem de Deus.
   Estão falando para “ficar em casa”, devido ao Covid-19. Para acalmar esta “ventania” no meio da tempestade que ainda é muito forte, é necessário, além de ficar em casa, tomar a vacina do amor na nossa família para protegê-la. E, ainda mais, se cada família, o vizinho, o bairro, a cidade, a nação e o mundo, tomarem a vacina, então soprará um vento de esperança para o mundo e a paz tão falada e desejada por milênios, começará ter seu espaço na aldeia global e, finalmente depois da tempestade, a calmaria virá.

Valcir Zancan é professor e pastor da AFUPM.
 Fone: (62) 99287-7020