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2020-08-01 07:50:00

As Fontes da Teologia Sistemática

As Fontes da Teologia Sistemática

Francisco Paula Mesquita

   “A Bíblia é o documento original sobre os eventos em que está baseado o cristianismo”. E a mensagem bíblica não se tornaria mensagem para ninguém, incluindo o próprio teólogo, sem a participação experiencial da igreja e de todo cristão. Se a ‘palavra de Deus’ ou o ‘ato da revelação’ é chamado a fonte da teologia sistemática, devemos enfatizar que a ‘Palavra de Deus’ não está limitada às palavras de um livro. [...] A teologia sistemática, portanto, tem fontes adicionais, além da Bíblia. A Bíblia, contudo, é a fonte básica da teologia sistemática. “[...] ela contém o testemunho original daqueles que participaram nos eventos reveladores”. A inspiração dos escritores bíblicos é sua resposta receptiva e criativa a fatos potencialmente reveladores. “... o ato da recepção é uma parte do próprio evento”. “O teólogo bíblico [...] nos dá fatos teologicamente interpretados. [...] Ele une filologia e devoção ao lidar com os textos bíblicos.” A Bíblia é a Palavra de Deus em dois sentidos. É o documento da revelação final; e participa na revelação final da qual ela é o documento. A “teologia sistemática necessita de uma teologia bíblica que seja histórico-crítica sem quaisquer restrições”. “[...] o Novo Ser em Jesus como o Cristo é a resposta à pergunta levantada implícita e explicitamente pelas religiões da humanidade.” Paul Tillich definiu assim a Teologia da cultura: “Esta é uma tentativa de analisar a teologia que está por trás de todas as expressões culturais”.

Experiência e Teologia Sistemática

   A experiência é o meio através do qual as fontes falam a nós, através do qual podemos recebê-las. Experiência não é a fonte da qual são tirados os conteúdos da teologia sistemática, mas o meio através do qual eles são existencialmente recebidos. No pragmatismo ocorre a elevação da experiência ao grau ontológico mais alto. Alguns dos teólogos empíricos tentaram aplicar o método da experiência científica à teologia. Mas eles nunca tiveram bons resultados e nem poderiam por duas razões. Primeiro, o objeto da teologia (isto é, nossa preocupação última e suas expressões concretas) não é um objeto dentro da totalidade da experiência científica. Não pode ser descoberto por observação distanciada ou por conclusões derivadas de tal observação. Só pode ser encontrado em atos de entrega e participação. Segundo, não pode ser testado por métodos científicos de verificação. Nestes métodos o sujeito que testa se conserva fora da situação de teste. E se isto é parcialmente impossível, como por exemplo, na microfísica, ele inclui os efeitos deste fato em seus cálculos. O objeto da teologia só pode ser verificado por uma participação na qual o teólogo que testa se arrisca a si mesmo no sentido último de “ser ou não se”. Para os reformadores, a experiência não era uma fonte de revelação. O Espírito divino testemunha em nós a respeito da mensagem bíblica. O Espírito não dá nenhuma revelação nova. Experiência como presença inspiradora do Espírito é a fonte última da teologia. Experiência aberta é a fonte da teologia sistemática. A teologia cristã se baseia no evento único Jesus o Cristo. E, apesar do sentido infinito deste evento, permanece só este evento. Como tal, ele é o critério de toda experiência religiosa. Este evento está dado à experiência e não se deriva dela. Portanto, a experiência recebe e não produz. Até mesmo o santo deve ouvir aquilo que o Espírito diz ao seu espírito.