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2021-06-12 11:41:00

Milhares nas ruas, apesar da pandemia, provam força da repulsa a Bolsonaro

Todos sabem que me opus a protestos nestes dias em razão da pandemia. É arriscado? É. Mas a história não se faz só de quereres. Em certa medida, é evidente, o antibolsonarismo deixou-se pautar por Bolsonaro. Que se note, no entanto: a esmagadora maioria dos que foram às ruas neste sábado estava de máscara e levou uma pauta civilizadora, que expressa o consenso de quem adere à ciência e ao bom senso, apesar da óbvia aglomeração. 

Todos sabem que me opus a protestos nestes dias em razão da pandemia. É arriscado? É. Mas a história não se faz só de quereres. Em certa medida, é evidente, o antibolsonarismo deixou-se pautar por Bolsonaro. Que se note, no entanto: a esmagadora maioria dos que foram às ruas neste sábado estava de máscara e levou uma pauta civilizadora, que expressa o consenso de quem adere à ciência e ao bom senso, apesar da óbvia aglomeração. Inexiste, assim, um empate moral, como a extrema direita está berrando nas redes sociais. Fato: o presidente exibia um falso monopólio das ruas em razão do público irresponsável e negacionista que mobiliza. Como evidenciam as pesquisas, maioria dos brasileiros, hoje, é crítica ao governo. E, pois, já o era antes dos protestos. O que se fez foi expressar essa verdade também na ocupação de espaços públicos

A rua não era essencial para plasmar o sentimento antibolsonaro. Mas é claro que aqueles que se opõem ao presidente marcam um tento ao evidenciar que os antigovernistas podem organizar “protestos contra” bem maiores do que os “protestos a favor” — estes insuflados pelo próprio Bolsonaro. Mas é certo que os manifestantes de oposição terão de enfrentar críticas em face da terceira onda da doença que bate às portas. Que não venha. A primeira e a segunda já mataram mais de 461 mil pessoas. “Muito bem, Reinaldo, então qual é a síntese?” Ela não é linear. Pode-se afirmar que: 1: 1: o antibolsonarismo crescia sem manifestações de rua porque, em regra, os que se opõem ao presidente obedecem a restrições sanitárias; 2: opositores justa e prudentemente enclausurados contribuíam para alimentar a falsa impressão de que as ruas eram monopólio do governismo e do negacionismo; 3: não negacionistas foram protestar, apesar da resistência de muitos, e demonstraram o que já se sabia: são a maioria; 4: o antibolsonarismo, assim, evidencia superioridade numérica, mas vê esmaecido o seu exclusivismo moral no que respeita ao distanciamento social; 5: na plástica das ruas, a diferença essencial está no uso de máscara, que rechaçada pelos seguidores do presidente, e por ele 

1: o antibolsonarismo crescia sem manifestações de rua porque, em regra, os que se opõem ao presidente obedecem a restrições sanitárias; 2: opositores justa e prudentemente enclausurados contribuíam para alimentar a falsa impressão de que as ruas eram monopólio do governismo e do negacionismo; 3: não negacionistas foram protestar, apesar da resistência de muitos, e demonstraram o que já se sabia: são a maioria; 4: o antibolsonarismo, assim, evidencia superioridade numérica, mas vê esmaecido o seu exclusivismo moral no que respeita ao distanciamento social; 5: na plástica das ruas, a diferença essencial está no uso de máscara, que rechaçada pelos seguidores do presidente, e por ele próprio, que até hoje ninguém sabe o porquê 
6: na pauta, entre antibolsonarismo e bolsonarismo, há a distinção, com o perdão do clichê, entre a civilização e a barbárie; 7: demonstrado o potencial para concentrações gigantescas, a prioridade deve continuar a ser o combate à doença. E, definitivamente, as aglomerações não contribuem para isso, ainda que com o uso de máscaras.
Coluna Reinaldo Azevedo