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2020-08-01 07:52:00

25 de Julho dia da mulher negra

25 de Julho dia da mulher negra

Meire de Oliveira Silva
Professora licenciada em Letras Modernas

   Em 25 de julho é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha. No Brasil, a data homenageia a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência do povo negro.
   Mesmo pertencendo a maior parcela da população, uma vez que vivemos em um país no qual temos uma maioria de mulheres e negros, as mulheres negras permanecem sendo as mais exploradas e negligenciadas socialmente. Assim sendo,” O Julho das Pretas” é uma estratégia de incidência política desenvolvida a partir de uma agenda conjunta e propositiva dos movimentos de mulheres negras da Bahia e nordeste(ODARA- Instituto da mulher negra),São Paulo (GELEDÉS- Instituto da Mulher Negra)  e alguns outros Estados do país  como Goiás( Grupo de Mulheres negras MALUNGA). Em 2020, o Julho das Pretas terá como tema “Em Defesa das Vidas Negras, pelo Bem Viver”.
   Nesse contexto, a unificação ocorre, por meio de nossas conquistas, desafios, de nossas dores e debates para superarmos a opressão histórica que opera em diversos níveis sobre as mulheres negras. O momento é desfavorável para os ativismos, o que não é novidade, porque costumamos buscar espaços na maioria das vezes enfrentando condições adversas.  A data oportuniza a discussão sobre os meios para superar a opressão histórica. Continuamos na luta por espaços, buscando a presença das mulheres com visibilidade e representatividade. Necessitamos ter voz ativa nesses espaços decisórios tais como: mídia, no jornalismo, judiciário e legislativo por exemplo. Ainda segundo o site GELEDÉS,: “As mulheres negras na sua maioria não ocupam posições de destaque,  e essa condição gera um saldo negativo de vocalização das demandas próprias, piorando ainda mais as condições de sobrevivência”. 
   No país, somos 55,6 milhões, onde 41,1% chefiam famílias negras. Observando os dados de homicídios, que não são nada animadores, de acordo com o Atlas da Violência 2019, foram registrados 4.936 assassinatos de mulheres em 2017, sendo que 66% das vítimas é negra, morta por armas de fogo, tendo boa parte acontecido dentro de casa. Sendo assim defendemos o pensamento de que não há ninguém melhor para falar sobre condições de segurança, educacionais, o saneamento básico, o sistema de saúde, a habitação e salário para uma mulher negra, do que ela própria.
   Observando estes dados, as atividades de julho visam promover o amor por nós mesmas, a nossas culturas, e as nossas comunidades, que nos inspiram diariamente a tecer utopias de um mundo melhor! Em paralelo o momento político internacional tem clamado pela importância da defesa da vida das pessoas negras. O movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) tem agregado força mundial a essa pauta.  
   Nesta perspectiva e acreditando que os tempos são outros, principalmente quando observamos as Universidades Brasil afora em um crescente número de negros e negras e conjuntamente o trabalho desenvolvido por  escritoras ativistas como:  Djamila Ribeiro, Carolina Maria de Jesus no Brasil, Bell Hooks, nos Estados Unidos como alguns exemplos, vem nos esclarecer por suas leituras e ativismos que o racismo é estrutural, contudo avanços estão sendo conquistados, especialmente a partir do século 21, por conta da organização das mulheres negras, ainda que ganhos coletivos são observados lentamente.
   Os  movimentos almejam  a construção de um novo marco regulatório, em que povos oprimidos do mundo inteiro se levantem para dizer que precisamos de pluralidade na valorização humana e das mulheres negras sobretudo no Brasil. Atuando por uma infância sem racismo, machismo e violência, por uma adolescência segura e com possibilidades de futuro,  direitos sexuais e reprodutivos, família e educação pública de qualidade.  Vive melhor a mulher negra e sua família quando lhe são garantidos direitos sociais e trabalhistas.
   Queremos dignidade e felicidade para todas nós, por isso acreditamos na importância das políticas sociais.