2020-07-01 07:57:00
Rotina escolar alterada com as aulas não-presenciais
ArtigoRotina escolar alterada com as aulas não-presenciaisMárcia Leão da Silva Pacheco
Sou professora de Matemática e pesquisadora.
No momento estamos desenvolvendo um novo projeto de pesquisa pelo GTDiF sobre “Trabalho pedagógico com tecnologias digitais e móveis na rede pública de educação básica durante o período de suspensão das aulas presenciais pelo contingenciamento Covid-19” financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
Em maio de 2019, concluímos a pesquisa de mestrado, financiada pela Fapeg, realizada em 21 unidades escolares, com 307 professores da rede estadual de Educação do estado de Goiás, em que pesquisamos sobre o “Não-lugar da tecnologia na aula”. Verificamos que os recursos tecnológicos não possuíam um lugar na aula, mesmo sabendo do seu potencial educacional, os resultados encontrados, apontaram um subuso dos mesmos. Destacamos nos dados coletados a questão da formação continuada de professores para o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), em que 57% do contingente pesquisado, não participaram de formação para usar os recursos tecnológicos na prática pedagógica. E, aproximadamente, um ano depois de realizada a pesquisa, fomos surpreendidos com o regime de aulas não-presenciais.
No dia 13 de março de 2020, foi publicado o Decreto n° 9.633, que dispõe sobre a situação de emergência pública, de acordo com a Nota Técnica 07/2020, sobre as medidas de prevenção e controle de ambientes para evitar a contaminação e a propagação do novo coronavírus. Nesse sentido o Conselho Estadual de Educação, visando atender ao proposto nesses documentos, traz na Resolução 02/2020 o regime de aulas não-presenciais no sistema educativo do estado de Goiás, como medida preventiva, que se estende até o momento.
Mediante essas normativas, toda a comunidade escolar, gestores, coordenadores, professores, alunos e pais, se deparam com uma rotina diferente da vivência nas escolas públicas de Goiás. Todos tiveram que se adaptar ao “novo” sistema de aulas. Foram muitas as dificuldades encontradas inicialmente, como a falta de equipamentos adequados para a execução desse novo formato das aulas e o precário conhecimento específico para produzir, gravar e editar videoaulas. Muitos professores, como mencionado anteriormente, não tinham formação específica para trabalhar pedagogicamente com as TIC.
Mesmo assim, temos professores se desdobrando, buscando formação continuada on-line para poder realizar as aulas não-presenciais. Seja com aulas gravadas pelo PowerPoint, ZOOM, LOOM, Google Meet, OBS ou mesmo pelo contato virtual nas redes sociais e WhatsApp. Estamos vivenciando o trabalho dos professores diariamente e também acompanhando o progresso em relação ao uso das TIC. Como exemplo, podemos citar que, uma das nossas videoaulas gravadas pelo LOOM, foi selecionada para ser publicada no Boletim Informativo do Instituto Unibanco/Fundação Itaú Social como ação exitosa em aulas não-presenciais.
Temos consciência que ainda existem dificuldades a serem superadas e muito aprendizado pela frente, porém estamos começando a vislumbrar um trabalho pedagógico tendo as TIC como aliadas.
Márcia Leão da Silva Pacheco
Professora do C.E. Abel Pereira de Castro
Mestre em Educação pela UFG
Membro do Grupo de Estudos Tecnologias Digitais e Formação de Professores (GTDiF/UFG)






