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2020-04-06 08:00:00

“Covid-19 está sob controle, em Rio Verde”

“Este é um momento de tensão, mas precisamos de nos doar, de nos recolhermos, termos paciência e deixarmos a equipe da saúde trabalhar. Trata-se de uma situação transitória, portanto, vai passar, mas isso vai depender de cada um de nós, se vai ser uma simples chuva de verão ou uma tormenta, um furacão... devemos manter a distância um do outro, tomar cuidado com os sintomas gripais, nos isolar, só usar máscaras se a pessoa estiver gripada ou se for profissional da saúde, outras pessoas não devem usar, porque a contaminação é altíssima.” Disse o Secretário de Saúde, Eduardo Ribeiro.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, o Secretário de Saúde de Rio Verde, Eduardo Ribeiro, fala sobre os preparativos e as condições de atendimento do Município de Rio Verde, caso haja aumento significativo das infecções pelo COVID 19


   O Espaço – O que a secretaria de saúde de Rio Verde tem feito para combater o Covid-19:
   Eduardo Ribeiro – Há cerca de sessenta dias já estávamos nos preparando para quando fosse detectado o primeiro caso do vírus em Rio Verde. Já era certo que ele chegaria aqui, quanto em todas as demais cidades do País, cedo ou tarde.
   Depois desse preparo inicial, que foi treinamento de equipes, reforço de dentro dos equipamentos, a construção de um centro, dentro do Hospital Municipal, que demos o nome de Centro Covid-19, com mais de dezesseis leitos, com ventiladores, que seriam leitos de UTI, fora o que já temos na rede municipal, que são nove, no Hospital Municipal, mais três, no Doutor Gordon. Temos também, toda uma linha de estrutura montada com o Estado, caso haja alguma necessidade, também, com os hospitais Santa Terezinha, Presbiteriano Doutor Gordon e da Unimed.
   Também separamos equipes de cinco médicos, os isolamos em um hotel, para que eles, de lá, monitorassem a parte de planejamento e execução de normativas de saúde. Foram médicos de várias especialidades, como por exemplo, infectologistas, intensivistas, entras outras especialidades. De lá, eles passavam para nós, todos os dados técnicos.
   Daqui, passando para o Prefeito Paulo do Vale, nos determinamos as atitudes e ações da Saúde, desde o início da crise.

   O Espaço – Então, o corpo administrativo da Secretaria de Saúde, reuniu com médicos para preparar estratégias...
   Eduardo Ribeiro – Sim! Desde o primeiro momento, objetivando dar um atendimento amplo e confortável à população de Rio Verde, dentro das nossas possibilidades, inclusive, buscando a rede particular.

   O Espaço – Nos casos de necessidade de se enviar pacientes para os hospitais particulares, os atendimentos serão pelo SUS?
   Eduardo Ribeiro – Nos casos dos hospitais Santa Terezinha e o Presbiteriano Doutor Gordon (40 leitos), eles já têm leitos SUS, e também atendem os planos de saúde e convênios. Então, os pacientes de convênio estão sendo atendidos por ambos os hospitais, que são referência para atendimentos relacionados ao Covid.

   O Espaço – Dizem que esse vírus já estava no Brasil, desde janeiro deste ano. O senhor teve essa notícia?
   Eduardo Ribeiro – Sim! Sabíamos e já existia essa tensão desde janeiro, aqui no Brasil, já que o período de maior contaminação foi em dezembro e janeiro, por isso, como disse, começamos a tomar decisões em janeiro, e começamos os preparativos imediatamente. Lamentamos pelos municípios que não se anteciparam com a prevenção e estão tendo problemas mais graves, por isso, principalmente, no Rio de Janeiro e São Paulo.

   O Espaço – De onde vieram as contaminações para Rio Verde?
   Eduardo Ribeiro – Tivemos em Rio Verde, um caso que gerou dois casos; depois, tivemos dois casos de contaminações em virtude de viagens de negócios, sendo um para São Paulo e outro para Miame, nos EUA; depois, tivemos um caso de contaminação cruzada, que, por ser contaminação comunitária, não temos a origem desse caso, mas, as pessoas que circulam com essa pessoa contaminada, estão sendo monitoradas e acompanhadas para sabermos se vão desenvolver os sintomas.

   O Espaço – A quarentena em Rio Verde, está dando certo? As pessoas estão cumprindo as
determinações?
   Eduardo Ribeiro – Nós começamos cedo, inclusive, fomos a primeira cidade do Estado a implantar a quarentena e, podemos dizer que está sendo um sucesso, por hora, tendo em vista a baixa contaminação. Prefeitos de centenas de cidades em todo o mundo, muitas, europeias, se arrependeram de não terem tomado a mesma atitude, com antecedência. O Prefeito Paulo agiu com rapidez e, portanto, apesar de ainda termos um caso de contaminação comunitária, a situação está sob controle, aqui.
   Dentro do Estado de Goiás, a situação também continua causando um ótimo efeito, graças as atitudes do Governado Ronaldo Caiado, apesar de que o que vai comprovar vai ser a ressaca que virá nas duas próximas semanas, quando, se constatarmos uma “curva” mais achatada, estará comprovado todo o sucesso das ações do Governador, o que eu acredito que vai acontecer. 

   O Espaço – Como o senhor vê as atitudes dos empresários que estão clamando para o retorno ao trabalho, para não prejudicar a economia? Já estamos preparados para voltar ao trabalho?
   Eduardo Ribeiro – Olha! Eu também já fui comerciante; tenho um irmão que toca um negócio de família, onde eu cresci lá, dentro. Ou seja, sei como os empresários se sentem neste momento. Solidarizo com todos eles, principalmente, da mesma forma que eles, nossa família está sofrendo.     Mas, infelizmente, nós temos que nos doar neste momento. Inclusive, vejo com certa dúvida, o que deve acontecer na próxima semana. Creio que haverá uma liberação lenta e progressiva, do comércio, em Rio Verde; não uma liberação total de uma única vez. Em minha opinião, ainda deveríamos continuar em casa por mais uma semana, mas, tudo vai depender dos indicadores de movimentação do vírus, nos próximos dez dias.

   O Espaço – A estrutura da Saúde de Rio Verde está preparada para enfrentar uma crise maior do que a atual?
   Eduardo Ribeiro – Na verdade, nenhum município ou país do mundo está preparado para enfrentar algo como aconteceu na Itália, ou como está acontecendo nos Estado Unidos, por exemplo. Mas, nós aumentamos e muito, a nossa capacidade de atendimento para pacientes que porventura precisarem de ventilação mecânica, que é o principal problema que existe para pacientes infectados pelo Covid-19. Por isso, pedimos a população, que fique em casa.

   O Espaço – Qual é a mensagem que o senhor gostaria de deixar para a população?
   Eduardo Ribeiro – Uma mensagem de otimismo. Este é um momento de tensão, mas precisamos de nos doar, de nos recolhermos, termos paciência e deixarmos a equipe da saúde trabalhar. Trata-se de uma situação transitória, portanto, vai passar, mas isso vai depender de cada um de nós, se vai ser uma simples chuva de verão ou uma tormenta, um furacão... devemos manter a distância um do outro, tomar cuidado com os sintomas gripais, nos isolar, só usar máscaras se a pessoa estiver gripada ou se for profissional da saúde, outras pessoas não devem usar, porque a contaminação é altíssima.

 Transcrição:
Divino Ramos