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2019-08-16 08:00:00

Aconteceu em Rio Verde o primeiro feirão do emprego

“Podemos afirmar que o feirão do emprego foi um sucesso, com certeza, porque superou nossas expectativas, quando das mais de mil vagas colocadas à disposição da população desempregada, mais de setenta por cento já foram preenchidas; mais de 4,8 mil pessoas passaram pelo local; e, fizemos mais de 6,8 mil atendimentos. Então, dentro do que foi planejado e esperado, foi realmente muito positivo.” Disse Fernando Jaime, diretor de trabalho.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, o gestor da diretoria do trabalho do Município, Fernando Ramos Jaime, fala do feirão de empregos em Rio Verde e sobre seu trabalho frente à pasta, dando dicas de como ingressar e se manter no mercado de trabalho

O Espaço – O que a diretoria do trabalho faz para o Município, no sentido de recolocação e geração de empregos?
Fernando Jaime –
Nesse aspecto, temos duas grandes preocupações, que são a mão de obra ociosa e a precária.
No caso da mão de obra precária, para atender pessoas não capacitadas, trabalhamos e investimos em treinamentos e qualificações e, para isso, mantemos parcerias com o SESI/SENAI, para oferecer cursos, sendo que alguns são de graça e outros não. Esses cursos, dependendo da demanda, são montados e disponibilizados aos interessados.
Temos ainda o SINE, dentro do Vapt-Vupt, que também faz parte da nossa pasta do trabalho, que disponibiliza uma grande quantidade de vagas flutuantes no mercado de trabalho, que gira em torno de 250 vagas diárias.
Com essa estrutura, a nossa missão é promover um encontro do cidadão que está desempregado com essas vagas que estão à disposição, no mercado.

O Espaço – Sempre houveram queixas dos empresários, com relação à qualificação da mão de obra. O número de pessoas não qualificadas é mesmo muito grande?
Fernando Jaime –
Assim que assumimos o SINE, em 2017, percebemos que muitas pessoas que eram encaminhadas para entrevistas em empresas, retornavam sem sucesso. Fizemos uma pesquisa para saber os motivos e descobrimos alguns problemas reais, sendo dois principais. O primeiro, é a falta de mão de obra qualificada. Para boa parte das vagas que não eram preenchidas não tínhamos pessoal preparado para assumi-las; o segundo motivo é a falta de preparo e bom senso para se comportar durante uma entrevista de emprego. Muitas vezes não se sabe vestir, colocam informações inverídicas em seus currículos e em muitos casos, não sabem nem falar corretamente.
Agora, estamos trabalhando para corrigir esses pontos negativos, já que a nossa grande missão é preparar esse pessoal para os colocarmos de volta no mercado de trabalho.

O Espaço – A população tem reclamado muito. Afinal, Rio Verde tem ou não tem empregos suficientes?
Fernando Jaime –
Sim! Rio Verde tem empregos, sim. Tanto, que no primeiro feirão de empregos, que foi um sucesso e aconteceu no último dia 10, oferecemos mais de mil vagas para serem preenchidas.
Agora, o que está faltando mesmo é mão de obra qualificada e também, grau de escolaridade desejável. Esses, são gargalos que temos que cuidar para que mais pessoas possam assumir as vagas disponibilizadas.
No dia do evento, até houveram reclamações com relação às filas, mas, afirmo que para promover um evento daquela envergadura, não seria possível fazê-lo sem evitar filas, que inclusive, são para organizar os atendimentos.

O Espaço – O município tem parceria com algum órgão federal para dar cursos de formação?
Fernando Jaime –
Há alguns anos não temos mais verbas para isso. O que estamos fazendo é trabalhar com as instituições do sistema “S”. Então, fazemos parcerias para alguns cursos, já que o montante a ser investido é muito alto.
Para montarmos esses cursos, dependemos da demanda. Muitas vezes anunciamos cursos e a procura não é suficiente para mantermos uma turma. Isso ocorre, porque na verdade não há interesse por parte da população em participar desses cursos.
É comum encontrar pessoas empregadas e desempregadas que preferem investir dinheiro para adquirir um celular caro e novo a cada seis meses, do que fazer um curso profissional e investir em si mesma.

O Espaço – E sobre o feirão de empregos? O saldo foi positivo ou negativo?
Fernando Jaime –
Esse foi o primeiro feirão do emprego realizado no interior de Goiás. Apenas oito foram feitos no Estado, sendo sete na capital e um em Aparecida de Goiânia, que não considero interior, pois é um braço da capital.
Sem dúvida que o feirão, aqui, foi muito positivo porque recebemos muitos elogios, além de termos sido considerado o mais organizado entre todos os que foram realizados no Estado. Podemos afirmar isso com certeza, porque superou nossas expectativas, quando das mais de mil vagas colocadas à disposição da população desempregada, mais de setenta por cento já foram preenchidas; mais de 4,8 mil pessoas passaram pelo local; fizemos mais de 6,8 mil atendimentos. Então, dentro do que foi planejado e esperado, foi realmente muito positivo.
Agora, temos que esperar um pouco, porque algumas empresas já selecionaram e contrataram; outras, apenas selecionaram, mas ainda vão fazer “um pente fino” dentro de seus próprios quadros, além de definirem em quais setores vão colocar os selecionados. Por isso, acreditamos que em aproximadamente duas semanas, teremos um quadro mais exato sobre as vagas preenchidas neste evento.

O Espaço – Qual é a relação entre o número de pessoas que participaram da seleção e o de vagas oferecidas?
Fernando Jaime –
Bem... Em Rio Verde existe um número flutuante de vagas disponíveis. Isso é explicado porque o cidadão, as vezes está empregado hoje, e amanhã, não mais. Isso muda a cada vinte e quatro horas.
Então, tínhamos um número “X” de vagas; no feirão elas aumentaram porque algumas daquelas vagas não estavam no nosso cardápio, portanto, ainda temos que fechar o nosso balanço, já que essas vagas são de responsabilidade das empresas. Como disse antes, a nossa responsabilidade foi levar para o feirão a maior quantidade de vagas e também a maior quantidade de pessoas que estão fora do mercado de trabalho.
Antes de termos o balanço fechado, podemos afirmar que mais de mil vagas foram ofertadas e mais de 4,8 mil candidatos participaram da seleção.
Para esse nosso primeiro feirão de empregos, vieram empresas de fora do município, com suas estruturas de RHs, para fazerem uma seleção de novos funcionários, a exemplo da usina Cerradinho, de Chapadão do Céu, que está implantando a maior planta da América Latina, para produzir álcool, do milho.
A Gem Alimentos, de Acreúna, também participou do nosso evento e, isso foi uma grande surpresa para nós, empresas de outros municípios vir à Rio Verde, para selecionar mão de obra para seus quadros.
Isso nos prova que existe uma certa crise de empregos, porém, por outro lado, existe muitas pessoas que não estão investindo em qualificação para atenderem às necessidades dessas empresas. Essa é uma das nossas grandes preocupações, mas, também não é questão do poder público ajudar; é questão de cada pessoa, estando ou não empregadas, investir na própria qualificação profissional. Quanto mais a pessoa se qualifica, mais chances ela tem de se manter no mercado de trabalho.

O Espaço – O senhor tem dados sobre as quantidades de empregos ofertadas pelo SINE e a procura? Pode também afirmar se os grandes atacadistas do município estão realmente contratando?
Fernando Jaime –
O nosso número de ofertas é flutuante, como disse antes, e gira em torno de duzentas e cinquenta, diariamente, porém, as especialidades e áreas são muitas e todas precisam de qualificação e um mínimo de escolaridade.
Os atacadistas de Rio Verde geraram muitos empregos, mas, são eles os principais detentores de vagas flutuantes, porque fazem trocas constantes, devido à falta de preparo daqueles que se dispõem a trabalhar ou não atendem à política de trabalho da empresa, assim, existem as demissões e as pessoas, voltam a ficar desempregadas e vagas são reabertas.
Temos também uma grande empresa de processamento animal, que funciona da mesma forma, com um rodízio de admissões e demissões muito alto e, um dos principais motivos, é que muitas vezes, devido às necessidades urgentes de se conseguir um emprego, muitos colocam informações não verdadeiras e a empresas, muitas vezes, só descobrem isso depois da contratação, o que também faz gerar demissões.