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2019-03-16 09:00:00

Tia Alba, uma mulher vencedora – 61 anos de magistério

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, a Professora Alba Almeida Rodrigues, a Tia Alba, fala da influência da mulher na sociedade e a liberdade adquirida, que muitas vezes, não é utilizada de forma sensata.
Ela fala também sobre os seus desafios e lutas como mulher defensora de uma boa educação, do patriotismo e dos direitos femininos. Seus pais eram de Minas Gerais, filha de José Pereira de Almeida e Helena Risolino de Almeida, mas nasceu em Rio Verde, em 28 de abril de 1942.
A Tia Alba foi casada com Tércio Carmo Rodrigues, (falecido), com quem teve duas filhas, Mirna Almeida Rodrigues e Milena Almeida Rodrigues.
A professora Alba Almeida Rodrigues deu aulas no Município e Estado por dez anos, até que em 1968 fundou a Escola Recanto Infantil. Essa escola cresceu e em 1980 foram concluídas as obras do Colégio Almeida Rodrigues. Por último veio a FAR – Faculdade Almeida Rodrigues, nome dado em homenagem a família.
A Tia Alba, também foi secretária de educação; foi secretária da UNDIME – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, entrou na vida pública, foi vereadora em 1989, exercendo apenas um mandato; também foi candidata a vice-prefeita de Rio Verde em 1996. Há 5 anos recebeu da Câmara Municipal de Rio Verde o Título de Comendadora. Hoje, tem 77 anos e já está deixando o magistério após 61 anos de vida doados para a educação.

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Jornal O Espaço entrevistou a Tia Alba


   O Espaço – Para falar sobre a importância da mulher na sociedade e as conquistas que conseguiu, o que obviamente, causou mudança de comportamento, qual é a diferença da mulher dos anos que antecedem a década de 60 e as contemporâneas?
     Tia Alba –
Existe uma grande diferença entre o que eu aprendi e o que vejo, hoje. Sou descente de família mineira, tradicional e fui educada com muito mais rigor do que os filhos de hoje. Há muita diferença entre a educação mais antiga e a atual.
É claro que nem por termos recebido uma educação mais dura e em uma época na qual a nossa liberdade era cerceada, deixamos de lutar pela conquista dessa liberdade, sempre, erguendo a nossa voz e buscando independência e respeito.
      A mulher bem educada e sábia não pode se envolver naquilo que é destrutivo e nos faz sofrer. Temos que lutar por objetivos elevados; lutar por dias melhores e pensar na família. 
     Deus deixou a mulher para ser a responsável pela procriação e para cuidar do lar. Não apenas com o serviço doméstico, mas principalmente, para educar e cuidar da família, pena, que estamos testemunhando algo terrivelmente contrário; estamos vendo a destruição e a derrocada das famílias, porque modernamente, nossos filhos não têm sido devidamente educados.
      Apesar de tudo, eu digo que não devemos abandonar nossa luta em defesa de uma sociedade melhor, que somente será conquistada através de uma boa educação de nossos filhos.
      Estou esperando um bisneto e quero deixar para ele um legado de amor à família e à pátria, e também de respeito, coisas que estão acabando. Ao longo da minha carreira docente eu nunca deixei de ensinar e incentivar tudo isso aos meus alunos.
     Há alguns dias fiquei decepcionada com uma situação, onde um repórter entrevistava algumas pessoas e fazia perguntas sobre músicas. Todos sabiam as músicas, mas, quando a pergunta foi se sabiam cantar o hino nacional, ninguém sabia.
     Consegui tudo na minha vida familiar. Isso, porque nunca desisti de lutar e educar minhas filhas no caminho do bem, com amor, respeito e patriotismo.

    O Espaço – A senhora não acha que a mulher não está sabendo lidar com a liberdade que conquistou e está exagerando em muitos aspectos?
     Tia Alba –
Acho que sim e não creio que seja apenas isso. Mas tudo tem uma razão, que é a falta de “berço”, escola e religião. As mães não dão conta de ensinar seus filhos a respeitarem os mais velhos; as escolas não conseguem ensinar seus alunos a serem patriotas e Deus não está mais fazendo parte da vida de muitas pessoas, que estão mais focadas em apenas ganhar dinheiro a qualquer custo, sem se importarem se a forma de ganha-lo é honesta ou não.
     Os pais mais despreparados estão dizendo “sim” para tudo que seus filhos querem, assim, os filhos crescem sem respeito e não aceitando o “não”, como resposta, onde quer que estejam, na escola, nas ruas ou em qualquer lugar.

   O Espaço – O que está errado na educação? O método Paulo Freire não funcionou?
     Tia Alba –
Acredito que não funcionou; o excesso de liberdade não funciona. Naquela época, apanhei de palmatória, fui castigada quando fazia algo errado. Por que hoje isso não pode acontecer?
      É preciso educar e ensinar. É preciso colocar o “sim” e o “não” na hora certa, e a mãe não precisa depender do pai para educar o seu filho, porque ela é também a “chefe” do lar; ela é tudo na educação do filho.
     Minhas filhas apanharam de mim. Pergunte aos meus alunos! Eu os educava! E os pais me agradeciam por eu ser do jeito que fui, inclusive, recebia muitos agrados dos pais de muitos alunos.
  Os filhos que não foram ensinados, cresceram e se tornaram pais... Pais despreparados... Tão despreparados que hoje, nem eles e nem os filhos   respeitam ninguém, inclusive, professores.
     Nossa sociedade está doente porque os pais foram falhos na educação, por isso, eu conclamo os pais de hoje a corrigir seus filhos, porque eles serão os homens de amanhã.

     O Espaço – A obrigação da educação é da família, da escola ou se trata de uma ação que deve ser exercida em conjunto, entre pais e professores?
     Tia Alba –
Eu acredito que é em conjunto, porém, a educação do lar é a primordial e muito importante; não se deve jogar essa responsabilidade para os professores. Primeiro se educa no lar; depois, se manda para a escola.
    Quando professora, eu colocava os alunos na fila e cantávamos o hino nacional e ensinávamos com autoridade. Hoje, o professor não pode nem danar com um aluno na classe. Eu e a finada professora Nazaré, ensinava que o patriotismo é indispensável para criar cidadãos de bem e incorruptíveis; ensinávamos os alunos a rezarem para que eles conhecessem o Deus que tudo criou.
     Muitos incorrem em erros terríveis, principalmente, quando pensam que o que é antigo está errado, e que a forma de vida correta no presente e futuro é melhor, garantindo aos jovens liberdade exagerada e que eles confundem com libertinagem, considerando que o importante é aquilo que agrada a eles próprios. O problema fica mais sério ainda é porque quando algo não te agrada, você desrespeita qualquer um para exigir que as coisas sejam do seu jeito.
      A mãe deve ensinar para seus filhos a conduta certa. Ai de mim se eu respondesse um professor. Minha avó ensinou isso a minha mãe, que me ensinou; eu ensinei para minhas filhas e elas ensinaram para meus netos e vamos sempre passar isso adiante.
      Violência e uso de drogas são coisas que estão perturbando muito o nosso País. Se o seu filho está com comportamentos estranhos, vai lá e apura o que está acontecendo com ele.

      O Espaço – O que a senhora pode falar da sua vida?
     Tia Alba –
Posso dizer que agradeço muito a Deus porque eu consegui tudo que eu queria na vida.
      Comecei fazendo um curso de magistério, que era no segundo grau, antigo. Também conclui o curso de contabilidade no Colégio Martins Borges. Depois, fui para a faculdade, onde também completei os cursos de pedagogia, curta e plena.
     Comecei a trabalhar como professora no Município em 1958; dois anos depois, fui para o Estado. Fui trabalhar na Escola Modelo, onde estive durante 10 anos.
     Em 1968 eu fundei a Escola Recanto Infantil, que funcionava nos fundos da minha casa; a escola cresceu e em 1980 eu concluí as obras do Colégio Almeida Rodrigues. A próxima realização foi a minha FAR – Faculdade Almeida Rodrigues, nome que dei em homenagem a minha família. A família do Tércio Carmo Rodrigues, o meu finado esposo, que me deu duas filhas: Mirna Almeida Rodrigues e Milena Almeida Rodrigues.
      A Mirna meu deu uma neta e a Milena me deu duas. Hoje, todas são médicas. Tive a oportunidade de também educar a Daniela, filha da finada Josina, que morou comigo durante 50 anos, quem considero minha neta de coração e trabalha comigo na FAR, Ela é casada e tem uma filha de 15 anos.
     Depois de tudo isso, consegui construir o meu espaço de lazer, reservado para o meu final de vida, em uma fazenda que comprei.

    O Espaço – Qual é o concelho que a senhora daria se para mudar os rumos da educação e da política? Dentro da educação não se aceita mais os rigores do passado; vivemos em uma época onde as pessoas querem ser respeitadas, mas não respeitam. Na política, a corrupção e a falta de responsabilidade está cada dia maior.
    Tia Alba –
A educação só vai melhorar quando os gestores nos níveis federal, estadual e municipal aprender e ter o conceito correto do que é educar. É preciso ensinar também sobre o respeito, o patriotismo e o conhecimento de Deus, que nos prepara para uma vida reta.
       Com relação à política, creio que cidadãos bem-educados, serão melhores políticos.