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2019-08-01 07:59:00

A professora Nilda Barros fala dos 171 anos de Rio Verde

O que mais me agradava, naquela época era o desfile das escolas no dia 5 de agosto – aniversário da cidade e 7 de setembro – Independência do Brasil, dias em que usávamos o uniforme de gala: blusa e saia de cor branca, gravata preta. Era um verdadeiro luxo.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, a professora Nilda Barros fala dos 171 anos de Rio Verde 

    Espaço - Durante sua infância como era Rio Verde?

    Rio Verde era pequena. Cidade calma. Poucos habitantes. As ruas principais eram calçadas com paralelepípedos, as outras poeirentas. A água era de cisterna. Energia elétrica durante o dia, à noite lamparina ou lampião. Na saúde, Hospital Evangélico e Santa Terezinha, construções pequenas. Conheci dr. Gordon, dr. Walter de Castro, dr. Alcyr Mendonça, e dr. Correia.
     Fiz o curso primário no Grupo Escolar “Eugênio Jardim”. O curso secundário no Colégio Estadual “Martins Borges”. O curso normal no Colégio do “Sol”. Bons professores, comprometidos com a transmissão do conhecimento e com a formação do educando.
    O que mais me agradava, naquela época era o desfile de escolar no dia 5 de agosto – aniversário da cidade e 7 de setembro – Independência do Brasil. Dias em que usávamos o uniforme de gala: blusa e saia de cor branca, gravata preta. Era um verdadeiro luxo.
Datas significativas para todos. Hino Nacional. Posição de sentido. Som da fanfarra. Tudo isso ficou para trás, mas as boas recordações ainda existem.

     Espaço – Em 1964, como comportaram os rio-verdenses com o golpe da ditadura militar?

   O período da ditadura militar trouxe para os políticos um tempo sombrio. Suas palavras e atitudes se tornaram alvo de perseguição política. Várias pessoas comuns foram alvo de investigação, complicando, assim, a vida de cidadãos de bem.

     Espaço – Como foi a prisão de Mauro Borges em Rio Verde em 64?

    Sendo Mauro Borges filho de Rio Verde, governador que colocou o Estado de Goiás no caminho da modernidade política e econômica de Goiás, os rio-verdenses se abateram e ficaram apreensivos quanto ao que ainda poderia acontecer.

    Espaço – Eurico Veloso defendia a bandeira dos militares?

    Os primeiros mandatos do prefeito Eurico Veloso coincidiram com o regime militar. Trabalhou ao lado de governadores que não foram eleitos pelo voto popular. Seu governo sempre foi pautado pelo trabalho. Era dinâmico e tentava resolver todos os problemas que apareciam. Certa vez ele contou um episódio com Irapuan da Costa Junior, presidente da Celg, ele ainda não o conhecia. Foi em 1968, em seu primeiro mandato para prefeito, que fui contratada para professora, com 16 anos. Ele educadamente me disse para escolher: Grupo Escolar Vila Amália ou Grupo Escolar Manoel Ayres.
    Ambos bem longe da minha casa. Ele cedeu um jeep para levar a diretora até a escola. Passava na porta da minha casa, claro, eu pegava carona. Assim, trabalhei por dois anos.

    Espaço – No período da ditadura quem surgiu como liderança forte no Sudoeste? Foram os nascimentos, porque eram corajosos?

   Os Nascimentos eram líderes natos. Além de corajosos, eram pessoas públicas, bem falantes, tinham um discurso convincente, faziam oposição à ditadura e sempre fiéis ao partido e aos seus eleitores. E, Iturival Nascimento na Câmara Federal lutou pela abertura de uma ferrovia na região ligando o sudoeste goiano aos outros centros.

    Espaço – Por que o povo de Rio Verde não esquece Iron Nascimento? Ele foi fundamental na atuação política?

    Iron  Nascimento foi prefeito que fez muitas obras. Construiu uma nova Prefeitura – Palácio de Rio Verde, uma nova Câmara – Palácio da Liberdade. Construiu uma nova rodoviária – Nego Portilho. No setor social – Vila Promissão. A Prefeitura adquiriu dois mil lotes e distribuiu às pessoas. Cuidou da limpeza da cidade, iluminação pública, asfalto, saúde. E isso o povo não esquece.

    Espaço – Como surgiu o Osório neste período da volta da Democracia?

   Com a volta da Democracia, o povo podendo escolher seu representante, desejando mudança, querendo votar na oposição, Osório que tinha grande prestígio popular, era o candidato favorito dos eleitores, tornando-se prefeito por duas vezes.

     Espaço – Como a senhora avalia a evolução política de Rio Verde e a importância de cada liderança no processo democrático até os dias de hoje?

    Rio Verde passou por profundas mudanças e isso se deve à ação dos prefeitos que com suas competências e capacidade de trabalho conseguiram construir uma nova cidade e um novo município. Lembrando que cada administrador procurou atender aos anseios da população.

     Espaço – Educação em Rio Verde está bem assistida nos dias de hoje, em todos os níveis?

    Eu considero a educação em Rio Verde a bem mais assistida do estado, quiçá do país. Hoje, as escolas primam pela capacitação de seus gestores e professores, sempre procurando especialização, mestrado, doutorado dentro do país e no exterior. Fazendo com que as pessoas possam esperar o que há de melhor para a educação. Colocando o nosso município em posição de destaque.
    Com a atual administração, percebemos que a cidade e o município se alavancaram de forma extraordinária. Dr. Paulo do Valle tem conseguido surpreender a população. Existem pontos que chamam a atenção: a saúde, a educação, a segurança que diminuiu o índice de criminalidade. O trânsito na Av. Presidente Vargas com a nova sinalização.
      PARABÉNS RIO VERDE!!