2020-05-01 07:59:00
Adolfinho quer voltar à prefeitura de Montividiu
“Ao longo desses anos e de todos os percalços, adquiri muita experiência, e devo coloca-la a serviço de Montividiu. Melhorei em todos os aspectos: como filho, como pai, como irmão, ser humano, como político e administrador público, e o resumo disso tudo, é que peguei os meus erros, e uso como lições para fazer tudo de modo mais correto e melhor daqui para frente. Hoje, sou um homem com a cabeça mais fria e o coração mais quente”. Disse Adolfinho.
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, Adolfo Gonçalves Pereira, o Adolfinho, de Montividiu, primeiro vice-prefeito do município e, eleito três vezes a prefeito, fala sobre os motivos da sua decisão de voltar a concorrer às eleições de 2020.
O Espaço – Montividiu foi emancipada em 1988. Depois da municipalização, a cidade realmente melhorou?
Adolfinho – Claro que melhorou. Em 1987, Montividiu era um distrito. Na época, fizemos um grande trabalho junto aos parlamentares estaduais, inclusive, foi o então deputado, Wagner Nascimento, que entrou com o pedido de emancipação para o Distrito, naquele ano. Em 1988 teve a primeira eleição, fui candidato a vice, juntamente com o Armando Gomes da Fonseca, o Armandinho, tendo a oportunidade de ser o primeiro vice-prefeito da cidade.
Fomos eleitos na primeira eleição, em 1988, e assumimos em primeiro de janeiro de 1989. No início daquele primeiro mandato, iniciamos os primeiros passos para levar desenvolvimento para o recém município, pois como distrito, a cidade não tinha asfalto; água tratada; energia, somente na rua principal; entre outras coisas...
Aí, começamos a estruturas a cidade, pois, não tinha um veículo sequer, não tinha nada... para a prefeitura funcionar, tivemos que instalar em um posto de saúde, e alugar um espaço para a câmara municipal. Então, fizemos todo o trabalho de implantação do município.
Em 1992, no segundo mandato, fui eleito prefeito da cidade; em 2000, fui vice-prefeito, novamente.
O Espaço – Então, a população ficou feliz e apoiaram verdadeiramente, o trabalho de vocês?
Adolfinho – Com certeza! Aí, o trabalho foi gradativo. Naquele momento, o povo conseguiu ver Montividiu, independente, porque antes, tudo dependia de Rio Verde. Eram muitas as dificuldades que o Município tinha, inclusive, ainda tem, por causa da posição geográfica, muito próxima de Rio Verde. Apesar de ser um Município rico, ligado ao agronegócio, com muitos produtores rurais, eles acabam decidindo por investir em imóveis e outros bens, por causa da facilidade que a cidade oferece, como shoppings, faculdades e comércios mais abrangentes, em Rio Verde. Assim, as grandes empresas e os grandes comércios, também preferem se instalarem em Rio Verde. Fazendo uma comparação, é como se Montividiu fosse um bairro de Rio Verde.
O Espaço – E sobre a arrecadação, no início?
Adolfinho – Bem... naquela época, ficou bom para Montividiu, porque tirou uma parte do município de Rio Verde, através de uma cessão, de um percentual da receita do ICMS, e destinou para o novo município. Em seguida, foi feito um rateio do ICMS entre os municípios. Então, Montividiu teve e tem uma boa arrecadação.
Mas, costumo dizer que Montividiu é uma cidade rica, e povo pobre. Ele é diferente de todos os demais municípios do mesmo porte. Por exemplo, vou usar Paraúna, que faz divisa com o nosso. Você vai à Paraúna e até mesmo em Caiapônia, e você encontra muita gente com raízes nessas cidades, um povo que nasceu e cresceu, lá. Agora, em Montividiu, você encontra poucos montividiuenses; é um município formado por várias pessoas de diversas partes do país. Começou com os baianos, depois vieram os paulistas, os gaúchos, os paranaenses e por aí vai. Inclusive, vieram para ganhar dinheiro com a agricultura, que na época não era tão explorada, pois a agropecuária ainda era forte.
De lá para cá, algumas características do município foram mudando. Hoje, você cruza o município, sem ver às margens das rodovias nenhum bezerro. Ainda tem muito gado, mas, são criados em confinamentos; a tecnificação foi tomando conta e a produção agropecuária foi aumentando, tanto, que a cidade também é referência no agronegócio. Na Tecnoshow, o município participa com grande capital e vendas em altos valores. Tem também a Comigo e o banco do Brasil, que têm um potencial muito grande. Isso quer dizer que o município tem uma pujança extraordinária.
O Espaço – Mesmo tendo feito um bom trabalho, o senhor foi cassado e preso. Por que isso aconteceu?
Adolfinho – Devo dizer, que naquela época, houve um momento que o Ministério Público alcançou uma força maior, ficou mais independente e queria mostrar mais serviço. Eu me destacava na política e na sociedade montividiuense, foi feita uma denúncia e eu fui pego, acredito até que como “bode expiatório”, para dar exemplo para os demais prefeitos, tanto, que não existia nenhuma prova documental da acusação de compra de voto. A acusação foi feita por três ou quatro pessoas que foram lá, inclusive, elas foram pagas por meus adversários, para dizerem que pegaram dinheiro oferecido por mim. Quando o juiz perguntou para elas, onde é que pegaram o dinheiro comigo, elas disseram que foi ao lado da piscina da minha casa e, onde eu morava, nem piscina, tinha.
As perguntas foram ficando cada vez mais difíceis, que chegou a um ponto que elas chegaram a dizer que não me conheciam, e disseram que foi o então vereador, Marcelo, que deu dinheiro para elas votarem nele e em mim. Assim, assumi a prefeitura em primeiro de janeiro de 2005 e fui cassado no dia 7 de abril de 2005, e fui condenado e preso em 12 de setembro de 2007.
Eu cumpri toda a minha pena; minha esposa foi eleita em 2012. Agora, depois de tudo isso, resolvi a colocar meu nome à disposição da população, mais uma vez.
O Espaço – Por que o senhor quer ser novamente, prefeito de Montividiu?
Adolfinho – Porque ao longo desses anos e de todos esses percalços, adquiri muita experiência, e devo coloca-la a serviço de Montividiu. Melhorei em todos os aspectos: como filho, como pai, como irmão, ser humano, como político e administrador público, e o resumo disso tudo, é que peguei os meus erros, e uso como lições para fazer tudo de modo mais correto e melhor daqui para frente. Hoje, sou um homem com a cabeça mais fria e o coração mais quente.
Transcrição: Divino Ramos






